De onde surgiu a ideia de levar as obras de leitura obrigatória para o Vestibular para os palcos?
Jorge Lins – Surgiu de uma necessidade constatada através de várias conversas com diretores, coordenadores, alunos e professores de várias escolas de Aracaju, quando desenvolvíamos o Projeto Escola com a Educação Infantil e Ensino Fundamental. Também pela experiência do Grupo Cirandas e do Newton Lucas de Menezes (já falecido) que produzia anualmente 1 ou 2 romances adaptados para o palco.
Há quanto tempo o grupo trabalha com isso?
Jorge Lins – Então, o Grupo não trabalha com essa fatia. Foi uma experiência nova, uma abertura de mercado. Esperamos contar com mais parceiros em 2010, quando o projeto voltará a ser apresentado e assim, formatar a realização do ROMANCES NO PALCO na nossa agenda anual.
Quantos espetáculos em média o grupo apresenta por ano?
Jorge Lins – Vários anos, já batemos o recorde de número de apresentações por ano, em termos de nordeste. Realizamos em média, 280 apresentações por ano. Trabalhamos em várias frentes. Levando Escolas para o Teatro, levando o Teatro para as Escolas, com Empresas, Tournées pelo interior do estado e viagens pelas principais cidades do nordeste.
Você gosta de ler?
Jorge Lins – Muito. Talvez por estímulo da própria família, desde menino, eu exercito o hábito da leitura. Já li muito mais. Leio menos hoje em dia e é uma leitura mais direcionada ao trabalho, a técnicas, história e literatura teatral. Também leio muito e me informo de todas as formas quando vou escrever um texto. Tenho que sedimentá-lo.
Qual foi o romance mais difícil de ser adaptado? Por quê?
Jorge Lins – O Mais difícil foi o da escritora sergipana Gizelda Morais, PREPAREM OS AGOGÔS. Pela diversidade de ambientes em que se passa a história, pela mudança de tempo da narração e pela quantidade de personagens importantes para o desenrolar da trama. Mas o livro é muito bem escrito e de prazerosa leitura.
Há algum critério para selecionar os artistas? São atores por profissão?
Jorge Lins – Existem critérios e critérios. Não existe uma fórmula ideal para seleção de artistas. Cada grupo ou empresa, seleciona de acordo com a sua maneira de trabalhar. Eu tento manter um núcleo de grupo (5 ou 6 pessoas que estão sempre comigo nas minhas produções e que já estão acostumadas ao nosso processo criativo). Muito dos meus atores, eu conheço e seleciono nas Oficinas que realizo anualmente. À partir de março, devo estar fazendo durante 4 meses, mais uma Oficina, no Teatro Tobias Barreto. Para crianças e adultos. Com experiência e sem experiência. Ah, sim, os atores do Raízes, são profissionais. Ganham para trabalhar e a maioria, vive exclusivamente disso.
Há algum espetáculo que por algum fato inusitado tenha se tornado especial para o grupo?
Jorge Lins – Vários. São 37 anos de grupo e mais de 100 espetáculos diferentes e viagens por quase todos os estados do Brasil. Inúmeras histórias especiais. A temporada que fizemos em Rondônia e no Acre, durante um mês, para Escolas Públicas. Numa região diferente, com cultura completamente diversa da nossa. As experiências pela Bahia e os muitos prejuízos de produções que não deram certo.
Dormir em rodoviária esperando ônibus que não passou, ficar preso em hotel porque a renda não dava para pagar a hospedagem, viagens para cidades que não tinham agendado as apresentações, embora o produtor local tivesse nos garantido. São muitas loucuras e só se aprende assim, vivendo.
Vocês contam com o apoio de alguma instituição?
Jorge Lins – Não! O Grupo sobrevive da própria oxigenação e propostas. Dos nossos projetos. Ninguém nos apóia institucionalmente. Lógico que em algumas produções, temos alguns parceiros, mas nada muito significativo. E até mesmo contratações por organismos estatais (de quaisquer esferas) não representam nem 15% do nosso trabalho.
Quais são as maiores dificuldades que vocês encontram para continuar nos palcos?
Jorge Lins – Exatamente essa dificuldade de patrocínio, de subvenção de subsídios. Em qualquer atividade econômica, existe uma linha de crédito específica, com juros mais baixos que o mercado. Cultura, não! É muito difícil a época de montagem, de captação de recursos e apoios. Matamos um leão todos os dias para sobreviver produzindo cultura em Sergipe, no nordeste. Os poucos e minguados programas de apoio por parte do governo, dependem de um amontoado de medidas e atitudes burocráticas que na maioria dos casos, atrapalha o processo de produção.
Em uma palavra, como você definiria a sensação de estar no palco?
Jorge Lins – Indizível. Mágica. Absolutamente inexplicável.

