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UFS - 2007 - PSS 2 - Questões

Português

QUESTÕES DE PROPOSIÇÕES MÚLTIPLAS


Cada Questão de Proposições Múltiplas consistirá de 5 (cinco) afirmações, numeradas de 0 0 a 4 4, das quais algumas são verdadeiras, as outras são falsas, podendo ocorrer que todas as afirmações sejam verdadeiras ou que todas sejam falsas. As alternativas verdadeiras devem ser marcadas na coluna V (coluna das dezenas) e as falsas, na coluna F (coluna das unidades).
Está sentindo dificuldades em responder essa prova? Então acesse o conteúdo da seção Português

Atenção: Atenção: As questões de números 1 a 3 baseiam-se no texto apresentado abaixo.

A sede da fazenda estava no alto, num descampado. A visão para os quatro cantos. Era assim que se sentia protegido. Seu Leobino, daquela bodega da estrada de Nossa Senhora da Glória, resolveu visitá-lo um dia. À noite. Num faça outra besteira desta, compadre, que, no escuro, a gente não sabe de quem é o carro. Venha pelo dia, mandando avisar antes. O compadre adivinha o motivo, indivíduos ruins que existem muito por estas bandas. A gente tem de estar prevenido, porque o medo de lhe fazerem o que mandava operar nos outros não desgrudava de sua cabeça um só
instante. Tudo girava em seus olhos, de frente para trás, de trás para frente, as imagens tão quentes como o sol que impregnava suas terras. O cavalo andando, ao sabor do comando que dava, já acostumado às veredas de que se utilizava. Evitava a mata fechada onde, atrás de uma croá, podia estar alguém escondido. Ou podia lhe aguardá-lo no galho de um juazeiro, o rifle apontado para sua cabeça. Não. Ainda derrubaria o matagal que lhe dava medo, para plantar capim. Livrar-se-ia daquela mata escura, onde as folhas dos cajazeiros se entrelaçavam com as da jurema preta, o gravatá em cada tronco se misturando à bola de cupim que também lhe causava arrepio. O umbuzeiro regurgitava de umbu, mas não ia, com desculpa de não gostar da fruta, melhor deixar para o boi comer, justificava-se, mudando de assunto. O olhar não pairava sobre aquele mundão de quebra-faca, de imburana-de-cambão, de aroeira, de unha-de-gato, de quina-quina, de mucunã. Deixasse o diabo quieto na mata e no capoeirão.

E, ia chegando. Suado. O chapéu encardido. O vaqueiro se encarregaria de tirar a sela do cavalo, que era de seu ofício. A bota fazendo barulho na varanda da casa. A mulher do vaqueiro solícita à espera. Meu senhor, que tristeza, na dispensa só tem farinha. Aqui, em casa, feijão velho com toucinho requentado, que sei que o senhor não come. Nem um pedaço de carne para se mastigar com a farinha que nois têm. Que desgraça! O senhor quer que eu mate uma galinha? Em uma hora, o prato tá na mesa. O senhor quer? Tem galinha gorda no pasto. Quer que eu pegue uma?

Pensou. Tirou o chapéu. Olhou para a mulher com os seios caídos, o vestido sujo, os pés no chão. A voz lenta, devagar, se arrastando, medindo as palavras:

− Não, minha fia. Matar uma galinha, não. Puxar o pescoço da bichinha, não. Me dá um aperto no coração. Para ser sincero, me dá uma pena. Eu como a farinha com ovo, que ovo deve ter por aí. Não tem problema. Deixe as bichinhas aí no terreiro que elas não fizeram mal a ninguém.

(Vladimir Souza Carvalho. Piedade. In: Água de cabaça. Curitiba: Juruá, 2006. p. 20-21)

Instruções: Para responder às questões de números 1 a 5 assinale como VERDADEIRAS as afirmações corretas e como FALSAS as que não o são.

1.

O senhor é um poderoso fazendeiro, inescrupuloso, que enriqueceu e ampliou suas terras recorrendo a expedientes tais como ameaças, surras
e mortes encomendadas.

No 2o parágrafo do texto há predomínio da descrição, utilizada especialmente para caracterizar as personagens, tanto no aspecto físico quanto na sua maneira de agir.

O fato de não gostar de umbu, como se lê no 1o parágrafo, é usado pela personagem como um argumento em que se sustenta todo o desenvolvimento, predominantemente dissertativo, que se estende desde Evitava a mata fechada até o final.
Ou podia lhe aguardá-lo no galho de um juazeiro, o rifle apontado para sua cabeça.
A repetição intencional dos pronomes grifados acima aponta para uso coloquial da linguagem, como ênfase ao sentimento de medo que domina o
fazendeiro.
É correto afirmar que, por suas características formais, o trecho − de um dos contos de Água de cabaça − faz parte de um conto realista, exatamente como o são os de Machado de Assis.
2.
Encontram-se no texto diversos exemplos de uso da linguagem falada, nos diálogos entre as personagens, artifício que empresta vivacidade à narrativa.
E, ia chegando.
A conjunção que inicia o parágrafo determina a articulação lógica com o segmento do parágrafo anterior, que se inicia por O cavalo andando ...
(12a linha do 1o parágrafo).
Deixasse o diabo quieto na mata e no capoeirão.
O emprego da forma verbal grifada acima denota no contexto a impossibilidade de realização de um desejo.
... indivíduos ruins que existem muito por estas bandas.
A palavra grifada está empregada como pronome adjetivo na frase.
... as imagens tão quentes como o sol que impregnava suas terras.
Identifica-se conotação na frase acima, considerando- se o contexto.
3.

 

Considere as frases:
O vaqueiro deveria selar o cavalo.
Após selar a carta, colocou-a na caixa dos Correios.
As palavras grifadas em ambas constituem exemplos de homonímia.
Por seu significado, os vocábulos mata e matagal
são percebidos como sinônimos no texto.
tem farinha − que nois têm
O acento circunflexo nas formas verbais diferencia
singular e plural, respectivamente, do presente do
indicativo do verbo ter.
Tem galinha gorda no pasto. Quer que eu pegue uma?
Todas as palavras grifadas acima incluem-se na mesma classe de palavras.

Ele respondeu para a mulher que não havia problema. Que ela deixasse as bichinhas lá no terreiro, que elas não tinham feito mal a ninguém.

Lê-se acima a correta transposição para discurso indireto das duas últimas frases do texto.

4.

Para responder a esta questão, considere o poema apresentado abaixo.

O tear

A fieira zumbe, o piso estala, chia
O liço, range o estambre na cadeia;
A máquina dos Tempos, dia a dia,
Na música monótona vozeia.
Sem pressa, sem pesar, sem alegria,
Sem alma, o Tecelão, que cabeceia,
Carda, retorce, estira, asseda, fia,
Doba e entrelaça, na infindável teia.
Treva e luz, ódio e amor, beijo e queixume,
Consolação e raiva, gelo e chama
Combinam-se e consomem-se no urdume.
Sem princípio e sem fim, eternamente
Passa e repassa a aborrecida trama
Nas mãos do Tecelão indiferente...

A linguagem empregada, a construção dos versos e sua distribuição nas estrofes atestam rigoroso apuro formal.
A visão do tear e de um Tecelão indiferente remete, de modo conotativo, ao destino humano, sujeito ao transcorrer infindável do tempo.
A preocupação com movimentos repetitivos, além de uma atmosfera sutilmente indeterminada, que resultam em intensa musicalidade, apontam para características do Simbolismo.
O jogo de oposições presente na 3a estrofe pode ser entendido como reflexo da ambigüidade de sentimentos de um poeta romântico, ao consumir-se na dúvida gerada pela inconstância afetiva.
A sucessão das vírgulas que aparecem na 2a estrofe imprime gradação de sentido em cada um dos versos, quer entre as expressões adverbiais,
quer na seqüência dos verbos empregados.
5.

 

A prosa realista no Brasil revelou nomes de grande expressão: Machado de Assis, desde seus primeiros romances; Aluísio Azevedo, em várias de suas obras, como Casa de pensão; Raul Pompéia, embora tenha escrito uma única “Crônica de saudades”.
A prosa romântica, em seus aspectos gerais, denota características que se acentuaram no Realismo, como se observa nos “perfis de mulheres”, de José de Alencar e nos “romances sociais”, de Joaquim Manuel de Macedo.
A poesia romântica brasileira distingue-se em fases, por sua temática: valorização da natureza e de elementos próprios, sentimentalismo amoroso de intensa subjetividade e, até mesmo, preocupação com problemas sociais.
A hora da estrela, como o próprio nome indica, mostra as dificuldades enfrentadas por alguns migrantes na busca de vida melhor nas grandes cidades, objetivo final atingido, apesar dos desacertos iniciais.
O romance A hora da estrela, pelo tratamento dado a suas personagens, é exemplo da estética naturalista, pois elas estão submetidas às condições biológicas desencadeadas por um meio desfavorável.

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