QUESTÕES DE PROPOSIÇÕES MÚLTIPLAS
Cada Questão de Proposições Múltiplas consistirá de 5 (cinco)
afirmações, numeradas de 0 0 a 4 4, das quais algumas são
verdadeiras, as outras são falsas, podendo ocorrer que todas as
afirmações sejam verdadeiras ou que todas sejam falsas.
As alternativas verdadeiras devem ser marcadas na coluna
V
(coluna das dezenas) e as falsas, na coluna
F (coluna das
unidades).
Atenção: Atenção: As questões de números 1 a 3 baseiam-se no texto
apresentado abaixo.
A sede da fazenda estava no alto, num descampado. A visão
para os quatro cantos. Era assim que se sentia protegido. Seu
Leobino, daquela bodega da estrada de Nossa Senhora da Glória,
resolveu visitá-lo um dia. À noite. Num faça outra besteira desta,
compadre, que, no escuro, a gente não sabe de quem é o carro.
Venha pelo dia, mandando avisar antes. O compadre adivinha o
motivo, indivíduos ruins que existem muito por estas bandas. A
gente tem de estar prevenido, porque o medo de lhe fazerem o que
mandava operar nos outros não desgrudava de sua cabeça um só
instante. Tudo girava em seus olhos, de frente para trás, de trás
para frente, as imagens tão quentes como o sol que impregnava
suas terras. O cavalo andando, ao sabor do comando que dava, já
acostumado às veredas de que se utilizava. Evitava a mata fechada
onde, atrás de uma croá, podia estar alguém escondido. Ou podia
lhe aguardá-lo no galho de um juazeiro, o rifle apontado para sua
cabeça. Não. Ainda derrubaria o matagal que lhe dava medo, para
plantar capim. Livrar-se-ia daquela mata escura, onde as folhas dos
cajazeiros se entrelaçavam com as da jurema preta, o gravatá em
cada tronco se misturando à bola de cupim que também lhe
causava arrepio. O umbuzeiro regurgitava de umbu, mas não ia,
com desculpa de não gostar da fruta, melhor deixar para o boi
comer, justificava-se, mudando de assunto. O olhar não pairava
sobre aquele mundão de quebra-faca, de imburana-de-cambão, de
aroeira, de unha-de-gato, de quina-quina, de mucunã. Deixasse o
diabo quieto na mata e no capoeirão.
E, ia chegando. Suado. O chapéu encardido. O vaqueiro se
encarregaria de tirar a sela do cavalo, que era de seu ofício. A bota
fazendo barulho na varanda da casa. A mulher do vaqueiro solícita
à espera. Meu senhor, que tristeza, na dispensa só tem farinha.
Aqui, em casa, feijão velho com toucinho requentado, que sei que o
senhor não come. Nem um pedaço de carne para se mastigar com
a farinha que nois têm. Que desgraça! O senhor quer que eu mate
uma galinha? Em uma hora, o prato tá na mesa. O senhor quer?
Tem galinha gorda no pasto. Quer que eu pegue uma?
Pensou. Tirou o chapéu. Olhou para a mulher com os seios
caídos, o vestido sujo, os pés no chão. A voz lenta, devagar, se
arrastando, medindo as palavras:
− Não, minha fia. Matar uma galinha, não. Puxar o pescoço
da bichinha, não. Me dá um aperto no coração. Para ser sincero,
me dá uma pena. Eu como a farinha com ovo, que ovo deve ter por
aí. Não tem problema. Deixe as bichinhas aí no terreiro que elas
não fizeram mal a ninguém.
(Vladimir Souza Carvalho. Piedade. In: Água de cabaça. Curitiba:
Juruá, 2006. p. 20-21)
Instruções: Para responder às questões de números 1 a 5 assinale
como VERDADEIRAS as afirmações corretas e como
FALSAS as que não o são.
| 1. |
|
|
|
O senhor é um poderoso fazendeiro, inescrupuloso,
que enriqueceu e ampliou suas terras recorrendo
a expedientes tais como ameaças, surras
e mortes encomendadas. |
|
|
No 2o parágrafo do texto há predomínio da descrição,
utilizada especialmente para caracterizar as
personagens, tanto no aspecto físico quanto na sua
maneira de agir. |
|
|
O fato de não gostar de umbu, como se lê no
1o parágrafo, é usado pela personagem como um
argumento em que se sustenta todo o desenvolvimento,
predominantemente dissertativo, que se
estende desde Evitava a mata fechada até o final. |
|
|
Ou podia lhe aguardá-lo no galho de um juazeiro, o
rifle apontado para sua cabeça.
A repetição intencional dos pronomes grifados
acima aponta para uso coloquial da linguagem,
como ênfase ao sentimento de medo que domina o
fazendeiro. |
|
|
É correto afirmar que, por suas características
formais, o trecho − de um dos contos de Água de
cabaça − faz parte de um conto realista, exatamente
como o são os de Machado de Assis. |
| 5. |
|
|
A prosa realista no Brasil revelou nomes de grande
expressão: Machado de Assis, desde seus primeiros
romances; Aluísio Azevedo, em várias de suas
obras, como Casa de pensão; Raul Pompéia,
embora tenha escrito uma única “Crônica de
saudades”. |
|
A prosa romântica, em seus aspectos gerais,
denota características que se acentuaram no Realismo,
como se observa nos “perfis de mulheres”, de
José de Alencar e nos “romances sociais”, de
Joaquim Manuel de Macedo. |
|
A poesia romântica brasileira distingue-se em fases,
por sua temática: valorização da natureza e de
elementos próprios, sentimentalismo amoroso de
intensa subjetividade e, até mesmo, preocupação
com problemas sociais. |
|
A hora da estrela, como o próprio nome indica,
mostra as dificuldades enfrentadas por alguns migrantes
na busca de vida melhor nas grandes cidades,
objetivo final atingido, apesar dos desacertos
iniciais. |
|
O romance A hora da estrela, pelo tratamento
dado a suas personagens, é exemplo da estética
naturalista, pois elas estão submetidas às condições
biológicas desencadeadas por um meio desfavorável. |